Após pouco mais de 1 ano do início das obras na pista 11/29 do Afonso Pena, no dia 27 de Março aconteceu a cerimônia de entrega da obra pela empresa responsável pelos serviços à Infraero. A pista ainda encontra-se interditada aguardando vistoria e liberação por parte da ANAC, o que deve ocorrer nos próximos dias, porém a obra está concluída. E que obra, diga-se de passagem!

Não é segredo que a pista auxiliar do aeroporto Afonso Pena quase não era mais utilizada devido à má condição em que encontrava-se o seu pavimento. Esporadicamente havia alguma operação da aviação geral, sendo a última operação significativa em um dia de jogo da Copa do Mundo 2014 em Curitiba.

Muito além de uma simples fresagem e recapeamento, houve a demolição da base sob a capa de rolagem da pista e sua reconstrução com a implantação de sistema de drenagem, eliminando desde a raiz a origem de alguns problemas que se refletiam na degradação da superfície do pavimento. Esse trabalho foi demorado, responsável pela grande maioria dos meses necessários para a conclusão da obra.
Feito isso, era só aplicar asfalto para a nova capa de rolagem, como é feito em qualquer pista, correto? Quase! O recapeamento foi feito com a utilização de uma técnica pioneira nos aeroportos brasileiros, o Sistema de Controle de Pavimentação em 3D. Basicamente este sistema é composto por 3 computadores com radiocomunicação que servem de referências em solo e computadores embarcados nos equipamentos de aplicação de asfalto. Baseado em um projeto 3D e no posicionamento exato dos equipamentos sobre a pista, o sistema define a quantidade ideal de massa asfáltica a ser depositada em cada ponto da pista a fim de se obter a geometria ideal do pavimento e reduzir ondulações. Assim, apesar de não ter grooving como na pista 15/33, garante-se um adequado escoamento da água, o que somado à características da massa utilizada, garante uma drenagem e aderência em condição de pista molhada que atendem com folga aos requisitos legais para uma operação segura.

Além disso, toda a sinalização vertical da pista foi refeita, substituindo todas as placas existentes e acrescentando algumas novas, com informações sobre o cruzamento com a pista 15/33 e também sobre as 3 taxiways de saída da pista: A, C e D. A iluminação noturna dessas placas é feita com a tecnologia LED.

E sabem onde mais foi utilizado LED? Alguém aí lembra do balizamento noturno dessa pista, fraco até no brilho máximo? Pois é, agora a pista conta com um balizamento de LED simplesmente espetacular! Nas fotos abaixo o brilho estava ajustado no nível 3, sendo 5 o máximo.


Nota: balizamento ajustado para as aeronaves em voo, com luz direcional, por isso a impressão de que algumas balizas estão muito mais fortes quando vistas de perto

Sabemos que a pista 11/29 não tem a mesma importância para o aeroporto que a 15/33 tem, sendo maior, com grooving, ILS e ALS nas duas cabeceiras, mas como a grande maioria dos voos que partem de Curitiba destinam-se a São Paulo e Rio de Janeiro, realizando saídas que sobrevoam Paranaguá para só então aproar o destino, a pista 11 torna-se ideal para decolagens pois deixa as aeronaves praticamente na proa de Paranaguá. Há também um ganho operacional no aeroporto considerando a diminuição da distância de taxi na taxiway C e o backtrack para a pista 15, além da possibilidade de autorizar uma decolagem da pista 11 antes mesmo de uma aeronave que pousou pela 15 livrar a pista, basta passar pelo cruzamento da 11/29.

Com isso diminui-se o tempo de espera para decolagem, o consumo de combustível e o tempo em voo, além de aumentar a fluidez do tráfego aéreo.
Infelizmente para nós, spotters, a cabeceira 29 está numa região inóspita isolada de tudo, e o único ponto de spotting da cabeceira 11 foi fechado, virando estacionamento em frente ao hangar da Helisul, sendo bem complicado fotografar tráfegos operando nessa pista, mas temos que ter em mente que para o aeroporto e seus usuários o ganho é excelente.

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